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segunda-feira, março 16

A Lua.

Eu, Luana , variante de Luanda padeço na estirpe do meu próprio nome. Sou feita de encantamento e coragem, e, por vezes, da ausência dessa demasiada força que oscila em um medo vagabundo no qual resguardo alguns dias, por pura covardia, cinismo ou coisa assim.
Um paradoxo vivo, cheio de estripulia e energia positiva, onde as palavras que me fazem medidas dos pés a cabeça dão sentido mais amplo à minha vida. Dona de uma bagagem de sonhos e planos que me geram ansiedade, disposição para que possa concretizar tudo “fora do tempo”, por pura impaciência e implicância, o que me permite querer usurpar as forças gravitacionais, e se concretize no MEU tempo. Trata-se apenas de um QUERER, o PODER neste momento desvincula-se da minha vontade, e as coisas tendem a acontecer dentro da frase clichê: no tempo certo. Desafio à minha paciência e boa vontade, com méritos em aprendizagem, mesmo que seja com sabores de dor e desengano. Sou a conjugação de alguns verbos fortes, com estima predileção para aqueles de ligação, que causam um elo fortíssimo entre o sujeito e o objeto. A paixão sempre foi algo assim, por isto sou reflexo contínuo das forças que fazem meu coração reagir, e nelas há um pouco de tudo que pertence a um ser humano, no seu real sentido, com reverência para todas as falhas, pois delas adquiro maturidade. Sem qualquer satisfação com o perfeito, o estático nunca me atraiu, o lado sinuoso sempre me fez melhor em atitudes e conversões. Prefiro o dizer ao falar, ouvir ao escutar. Sem brecha pra laconismo, por causa e efeito de um ser completamente prolixo. Evasiva para algumas coisas, concisa em tantas outras. O pouco que tenho me gera satisfação ao ser doado,por isto, com afinco e afeto sou amiga dos meus amigos, com grande entusiasmo para todos aqueles que além de serem contados nos dedos, fazem parte de um memorial valioso onde nele se encontram a base sólida do amor; minha família. Meu pai é meus olhos, minha mãe meu ídolo. Cada parte que me rege pertence a uma ambivalência que me gera rectidão, a cada dia me desvendo um pouco mais, sem grandes feitos, mas com simplicidade e composição entre erros e acertos.

quinta-feira, março 12

Sentinela das incertezas.

Ontem na sua introspecção, foi fitada nos olhos e não soube responder a pergunta que foi feita. Se tudo estava bem, não lhe cabia dizer. A harmonia ociosa fugia pelos traços, o rosto bem delineado, os trajes discretos e comportados, mas uma sedução avassaladora que nem ela sabia explicar. Um vestido branco e um salto apenas para lhe dar mais confiança na postura. Ela precisava voltar a andar no alto, embora tenha perdido a prática. O cheiro que exalava deixava ela mesma ébria, pacífica em sensações (in) subordinadas. Ninguém entendeu a sua serenidade. Insistentemente perguntavam do que se tratava, ela não é assim. Tagarela e sempre com ar de pessoa feliz, consegue galgar seus dias e dobrar o cansaço. Mas ontem, sinceramente, ela não era ela. Compreendia facilmente suas feições, ela escondia o sorriso ao baixar a cabeça, e seu coração volátil se desarmava todo para dizer do que não sabia. Bastava-lhe o silêncio, enquanto por dentro tudo estava em erupção. Dessa vez o coração ficou de lado, por esses dias, o que mais lhe tem incomodado é o futuro incerto, a sentinela da dúvida que não cessa em mostrar-lhe que tudo está por terminar, mesmo que ainda seja o início de um longo caminho a curtos prazos. Quem dera ela soubesse onde tudo fosse parar, principalmente os planos em que há muito desejou concretizar, perto e longe, foram verificados na mesma sintonia. É um foco novo, na verdade, muito antigo, que se misturou com o abstrato das sensações e agora se tornou um só. Precisamente, ao chegar em casa, desejou fugir de suas autocobranças e dormir, se possível, dormir sem sonhar. Quem sabe assim, lhe faltassem predicativos verbais para os dias seguintes em que seus sonhos insistem bater na porta e não desgrudar enquanto não houver respostas... Ela está bem, mas o momento é mais profissional que tudo...

segunda-feira, março 9

Vide cor meum

Luana procura, de todas as formas, arrancar de seu coração um sentimento que (segundo ela) a intoxica, a faz sentir-se fraca, que a assombra a despeito dos seus exorcismos e dos seus mais fervorosos pedidos a Deus. Então Luana decide substituir aquele amor por outro. E ela faz isso mais de uma vez, e se propõe a fazer isso quantas vezes forem necessárias até que ela se convença, enfim, de que já o esqueceu. Sem muitas opções, Luana decide negar para si mesma e para o mundo que o ama ainda, e o faz de forma aberta e escancarada para que todos digam amém (e eles o fazem). Luana ri de si mesma (e dele) quando lhe assalta a vaga possibilidade de se amarem ainda, entrega todo o seu desejo, o seu tesão, os seus lábios e seus presentes para alguém que não seja o seu “tóxico”. Porém, nas noites frias, em seu travesseiro, Luana o tem novamente em seus pensamentos mais saudosos. Sente raiva, não desejo, mas raiva... Raiva de ter se envolvido com ele um dia, raiva de todas as ofensas que trocaram, raiva do fato dele existir, raiva de ser tão trabalhoso esquecê-lo definitivamente e raiva de não tê-lo ainda “matado” embora procure se convencer disso todo santo dia. Luana sente-se poderosa por conseguir conquistar quem ela quiser, e poder esfregar na cara dele suas novas paixões. Diz que está pouco se lixando pra ele e pede, insistente, para que ele se apaixone por outra... Luana o tem como a pior experiência afetiva da sua vida, o pior dos seus erros amorosos, o relacionamento mais doloroso e traumático. Porém Luana se esquece de uma frase que ambos concordaram um dia; Não adianta muito casar com alguém que pensa-se amar e, um dia, acordar ao lado dessa pessoa e sentir saudades de quem realmente se ama... Marcelo [http://novasamenidades.blogspot.com/] Vocês precisam conhece-lo, escreve do amor da forma mais simples e sutil que já conheci. Nesse texto ele vagou pelo meu intimo, sem sentir, sem ter pretensão alguma e trouxe ela até aqui...

domingo, março 8

Mulher Literal

Quem foi que disse que beleza condiz apenas a fatores externos? Cílios compridos, olhares marcados, boca delineada, cabelos longos, sedosos, pele macia e corpo de violão vão tudo por água a baixo, quando a mulher não tem em si inteligência suficiente para ser humilde. Ela não consegue o que mais seduz, estigmatizada, confisca olhares, perturba pensamento e coração.
O seu estereótipo passa ser um caixa de olhares vazios, que se preenche pelos desejos carnais do outro.
Mulher pra ser bonita tem que ter humildade, sabedoria, discernimento, maturidade. Esta sim, conduz consigo a melhor vitalidade dissipada em sorrisos, conversas claras, olhares seguros, tem risos sarcásticos, simpáticos, irônicos, dissimulados que sabem seus devidos momentos.
São presenças femininas que marcam ambiente pelo cheiro, pela marca da personalidade forte, pela eficiência no trabalho, pelos discursos pautados, pelo poder de persuasão.
Bonita, é aquela que sabe cumprimentar a todos com simpatia e serenidade, sabe seu espaço, não precisa de risos frouxos, de musicas cantaroladas em ambientes inadequados e inoportunos. Mulher convicta tem postura, ela sabe o lugar certo para usar seu egocentrismo, seu lado comutativo, suas superstições, sem deixar de lado a vaidade e o lado sentimental clichê, amores em reticências, findos.
Mulher bonita sabe usar da coexistência entre o racional e sentimental. Tornou-se obsoleta beleza feminina que não tem conteúdo, vulnerável a quantidade, sem ordem, pudor, modeladas pelos arquétipos de novelas, seriados, filmes. Mulher pra ser bonita tem que ter mais do que o famoso “borogodó”, tem de ser letrada, e quando não, tem habilidades que as fazem grandes, sabem falar sobre os mais variados conteúdos com acertos e criticas, cala pra ouvir, pára pra pensar.
São exatamente as que conseguem refletir sua beleza interior que se destacam entre tantas moldadas. Quem não se perguntou um dia, o que ele viu nela? Pergunte primeiro, o que falta em você?
Talvez a resposta esteja concentrada na sua busca pelo amor próprio, no seu investimento pessoal, na falta de aspectos factuais, vida cômoda é aquela fruto de teorias, quem não tem pratica, conhecimento empírico de suas próprias realidades, conceitua adjetivos com propostas fúteis, argumentos de nada plausíveis.
Uma mulher pra ser bonita não precisa de um batom na penteadeira, de curvas corporais perfeitas, cabelos estirados, ou roupas de marcas, para se compor deste adjetivo basta ter na cabeceira bons livros, e um mundo peculiar regido em humildade.

sexta-feira, março 6

A quem se pode recorrer?!

A quem posso dizer dos fatos que me entristecem, do que me causa consternação e revolta para que haja uma solução imediata do sofrimento alheio?! Não sei, se não a mim que já faço minha parte, somente a você que ainda vem por aqui e tira um pouco dos minutos para ler minhas palavras. Pronomes de tratamento serão dispensados, porque ilustríssimos são os trabalhadores do mundo a fora que se sacrificam com salários mínimos para sustentar famílias, e mesmo diante de toda dificuldade, ainda sorrir e esbanja receptividade ao receber visitas. Não sei se você já notou, mas as festas dos mais humildes são sempre melhores, não é preciso traje completo para seguir o passeio, e a mesa estar sempre farta dos nossos tradicionais pratos. Meses atrás voltava da Universidade e me deparei com uma cena que me marcou muito, via um senhor de cabelo grisalho se agachar para comer plantas, especificamente mato. O mato da praça que crescia por descuido. Aquela situação mexeu comigo até hoje, e não há um dia em que nas minhas refeições não lembre daquele homem, que assim como eu, teria todo direito de desfrutar de seu almoço como ser humano e não como um animal ruminante que se apossa da sua capacidade de digerir mais facilmente a celulose e sacia o seu pasto. Infelizmente não pude parar e proporcionar uma alimentação descente para aquele senhor, mas aprendi a não reclamar da comida que me é servida, embora não seja do meu agrado, porque pior seria não ter nada, absolutamente nada pra comer. Não consigo me dar com o sofrimento do outro de uma maneira natural, nem sou exemplo de humano a ser gravado nas sentenças da memória dos bons samaritanos que se fazem canonizados com o tempo. Sinto-me indignada pelas contradições que são claras, pela quantidade de terras desocupadas e muitos sem chão, pela ostentação de muitas casas e outras de taipas, por um país que tem em sua base económica a agricultura e tantos com fome, por quem tem tanto e nada faz, e por quem tem tão pouco e doa mais. Os trabalhadores que enxergamos nesse mundo, mulheres e homens sacrificados na luta diária para conseguir o alimento do dia, calar o grito da fome, saciar a sede quando a água ainda é para tantos riqueza endurecida, perdida na absorção do calor do sol em seus cenários secos, desolados na dor do outro, na sua própria dor ao conduzir latas d’água na cabeça, enquanto outros podem se dar ao luxo de um poço artesanal em suas residências. Enquanto a luz de muitos não vem, o sono também não chega e o dia nasce mais rápido, porque é da luz do sol que muitos dos trabalhadores controlam o seu tempo, e na fé que a esperança mesmo sucumbida faz eles acreditarem nas suas proles desgarradas tão cedo.
A escravidão ainda existe por tantos cantos, a abolição foi da cor, da raça negra que se degradava nos açoites, apesar do preconceito assolado que impregna a cabeça das pessoas,ainda que o branco seja geneticamente tão negro quanto. O trabalhador da roça, do sol quente, das estradas, dos salários baixos, os empregados domésticos que deixam de ser gente para tornassem animais. O choro, o descuido, a magreza, a humilhação, a dor de não conseguir enxergar por mais bolsas que o governo queira dar uma vida melhor, uma vida que possa ser construída no calor do esforço mas com bem estar, porque vida fácil não faz crescer, faz muitos se apossarem do que é do outro, sonegando seus impostos, distratando das responsabilidades e se colocando prepotente na frente daquele que não ostenta dinheiro, status, prestigio social, mas tem muitas vezes muito mais amor e sorriso a ser demonstrado, embora esteja descalço, com os pés rachado a sua frente, e o rosto ainda que mais novo na idade, bem mais velho que o seu. Quantas pessoas precisam somente de atenção, porque foi dela que ouvi dizer quando perguntei a um mendigo que sempre me fazia companhia na espera do ônibus para minhas viagens a Universidade Estadual. Não tinha quem pudesse adivinhar pela sua aparência, o quanto de conhecimento e sofrimento existia por traz dos seus trajes. Ele me perguntava se havia lido o jornal do dia, me questionava, e ,embora às vezes, me parecesse com a psique abalada, não me deixou de responder quando o indaguei se ele era feliz. Lembro da sua expressão cansada, mas serena em que me dizia ter sido feliz hoje, porque havia tido a minha atenção. Eu não pude ir mais além, a rotina me tirou dos seus dias, não pude mais oferta-lhe comida, nem a minha atenção, mas fiquei com a lição. Não sei até onde teremos tempo para acreditar que ainda pode haver mudanças, o estimulo é sufocado a cada novo dia, e os meus filhos que dirão pra ele do mundo em que vivi, que farão eles do mundo onde vão viver?! É triste não saber mais o que é igualdade, quando o esfacelamento das pequenas coisas também se vão na esperança, no descaramento multifacetado dos políticos que são escolhidos dentro de uma “democracia” conquistada por nós. E que democracia, os justos pagam com a impunidade dos sem escrúpulos! Meus filhos ainda saberão do amor que vive, porque dentro disso tudo, desse cenário de nada compassivo no qual estamos vivendo, alguns seres humanos ainda restarão para dar atenção ao próximo, para se preocupar em fazer a diferença e por mais difícil que seja, lutar pela justa causa. Eles não serão estimulados a serem políticos, demagogo estereotipados pelo caráter de tantos, mas serão seres humanos natos capazes de ajudar o próximo, e de doar o que lhes forem possíveis. Dos pequenos passos nascerão os largos e firmes.
Não posso viver em paz com tudo que me cerca, e por não poder fazer muito, ainda resta o meu pouco. É dele que busco, retribuo e doo, ainda que me quebrem as pernas, seguirei nos meus passos miúdos, mas com a intensidade do meu coração.

quinta-feira, fevereiro 5

Solte a sua loucura.

A relação com a loucura sempre foi tensa. Sim, porque ela faz desvairar em ares muito mais leves, do que o habitual. Do que o corriqueiro que leva ao poço da hipocrisia em não assumi-la. Verdade mesmo, todos temos um lado louco, bem mais louco do que santo, que se afugenta nos lugares mais tocáveis. Mas o pudor, a cultura que nos desafia impõe limites para viver numa sociedade extremamente complexa. Quando sou louca me sinto mais eu, como se todos os resquícios do ilimitado se transformasse em um só e me deixasse a beira do fogo, de querer derreter sem voltar a se recompor. A loucura nos torna nômades. Não temos lugares fixos para dizer o endereço, não queremos ser encontrados, não desejamos ficar por nenhum instante e deixamos sermos levados pelo seu ritmo. À beira da loucura é o melhor lugar que encontramos para não se equilibrar por muito tempo, quem sabe, nem mesmo a gravidade exista. Durante o século XVIII a loucura se ligava à busca do intelecto, grandes idealistas se consumiam de uma maluquice sem tamanho, eram vistos como excêntricos, extravagantes, mas permitiam-se viver sem rotina, sem apego dentro de um sistema de absoluta imposição. Saint-Simon era um deles, um amalucado que apoderava-se de suas epifanias para viver sem rédea, que conduzia o desapego em palavras, propensas numa loucura completamente desregrada, onde se permitia viver. Quantos de nos temos um pouco da D. Maria Louca, da loucura solta de Clarice, do gosto extravagante de viver do Cazuza, do jeito despojado da Rita Lee, da loucura apaixonante de Gabriel Garcia Marques e tantas outras loucuras (des)humana como a de Hitle, ainda que sensível como a de Friedrich Nietzsche. Ser louco é despertar o intimo, é ser você nas brechas incontidas, nos seus pensamentos que incomodam, que regulam e que quando você a encontra soltam-se, vivem, por mais estúpida que sejam as sensações. Quando sentir a loucura chegar não traga camisa de força para ela. O que vos falo não é do lado perverso, do instinto de maldade e desamor que assola o mundo e traz tanta crueldade. É um encontro – paradoxoalmente- com a loucura sensata, aquela que permite você ser você, numa felicidade tão leviana e inocente ao ponto de ser perdoada.

terça-feira, janeiro 27

A arte da canalhice.

Me desculpe o publico masculino se eu generalizar, mas os que se salvam estão pagando caro por toda a canalhice aguda, sacanagem medíocre, lábia congênita que se instalou na cara de inúmeros babacas que estão tentando tatear o mundo com essa arte. Pois bem, se eu não fosse tão bem definida como HETEROSEXUAL diria que tomei abuso de homem, dessa laia disfarçada de gente que engana, machuca, usa e abusa como se as mulheres fossem feitas de pano, capazes de serem costuradas a qualquer momento. Vou suavizar. É verdade, as mulheres também andam assim, perderam um pouco de sua sensibilidade para se adequarem a esse universo de banalidade, vazio, detentor de uma falta de respeito sem tamanho. Mas a culpa meu bem, não é somente dos valores culturais que mudaram, do espaço conquistado por nós que vão muito além do mercado de trabalho. A culpa esta bem delineada nas relações que estão sendo criadas, num mundo onde não se valorizam mais sentimentos, onde as conquistas tornaram-se jogos, e o espaço construtivo da relação foi pra de baixo do pano, acabou, já era. Os caras beiram os trinta, passam dele e ainda gingam na malandragem ardente de querer muitas. Fala sério, já ouvi muita gente abrir a boca bem contente e dizer, que se pode ser feliz sozinho. Concordo, podemos ser felizes sozinhos, sem essa ajuda desgastante que acelera o coração e faz a gente acreditar que encontrou. Que faz muitos de nós irmos atrás, correr, lutar , demonstrar e ser levado depois ao desprezo. E ficar com toda cisma do “o que foi que eu fiz?”. Se é pra ser feliz sozinho, com todas as conquistas pessoais, que seja, mas não procure alguém para suprir momentaneamente suas carências e depois pular fora. Cinismo, o papinho é sempre o mesmo, as vezes até mais enfeitado, mas a gente aprende. Aprende a entrar nesse fantoche onde quem leva mais é quem faz menos, onde as desculpas esfarrapadas são sempre as mesmas. “Compre a sua cerveja” e por favor, não volte mais. Compre o que quiser, mas só fará comigo uma única vez, porque já deixei passar da terceira e nunca deu certo, não será agora que vai dar. Cansei de desse jogo imbecil de vai e vem, de tentar, de me esforçar a acreditar que pode ser diferente, é sempre assim no inicio, um papo bacana que faz balançar e ser convidativa. A rotatividade da vida permite mudanças, um dia você vai precisar ser gente de novo, e quem sabe será muito tarde pra perceber que a babaca de ontem, é uma pessoa feliz, com uma família bem constituída e um amor sólido, por ela mesma e por tudo aquilo que conseguiu na vida. Quanto a você, descanse no vazio, na solidão conturbada dos seus dias que permitem que você encha a cara, pegue cinco e volte pra casa do mesmo jeito; vadio, pequeno e insatisfeito com tudo que te cerca, porque amor, amor de verdade, você nunca saberá enquanto postergar uma vida a dois, com respeito, companheirismo e gratidão. O resto você consegue fácil, vem com tudo aquilo que compõe o lado esquerdo do peito. Emoções e os outros requisitos básicos do ser feliz a dois. Ser duro na queda é uma resistência desnecessária quando sentimos o coração sair pela boca.

quinta-feira, janeiro 22

Vida, viva.

Sem precisar de embalagem, fita de cor e cartão de felicitação, a vida surgiu como presente extraordinário, cheio de adornos e com grandes ou pequenas pretensões. Poder partilhar é algo cujos méritos poucos entendem. Deixa-se passar e desperdiça-se o que realmente pode ser válido: os bons sentimentos, as conquistas e o momento. A preciosidade do tempo é tão lamentada, discutida, poucos são os que põem em prática o hoje. Este vale muito mais do que ontem, amanhã, depois. A falta de tempo e de experiências comutativas é tão presente no nosso dia a dia que até a troca de sorrisos é esquecida ao primeiro BOM DIA, isso se estende ao boa tarde e aos demais cumprimentos. O dia passa e você perde tempo com cálculos, irritações, desequilíbrios e tristezas. É difícil manter-se constante, pois as adversidades por vezes nos tornam assim, meio que amargos, distantes e a zelar pela tal da discórdia. Nada na vida é fácil, mas nem tão difícil quanto parece. Uso da teoria de que o hoje é mais importante, dádiva preciosa e delicada que nos possibilita inúmeras sensações que podem ou não nos dar um sentido mais amplo. Não incluo nenhum tipo de assunto específico para minhas palavras, mas falo de um modo geral, afinal, ao tratar de VIDA não há colocação inócua. Seja quem quer que esteja, permaneça e conviva ao seu lado terá sempre defeitos, mas ao mesmo tempo razões para que tudo seja inoportuno. Cada um sabe onde seus problemas são capazes de interferir em um relacionamento humano. Se permitir ao novo, convidar-se a viver é impetuoso, desafio estarrecido, oportunidade inviolável que se pode e deve adquirir como meta. Não espere por incentivos, crie, escute vozes, estas se chamam forças de vontade, quando se permite, elas gritam. Pare e ouça. Não seja mesquinho, nas mãos encontra-se o maior e melhor bem. Ao lado, alguém que também foi escolhido entre milhões, e, se perto está, é para compartilhar. Em tudo que o cerca há sentido, e não haverá a melhor pessoa do mundo para julgar quem ainda não o sorriu. Estender a mão é um ato individual vinculado à vontade, quem não usa do bom sentido, do amor cogitado, não entende os efeitos da vida, mas se acomoda aos olhos do mundo. Limitar-se é não conseguir entender que o sol nasce no outro dia.