quinta-feira, março 3

Desintoxica

Frequentemente deve-se se eliminar, acrescentar e repensar novas formas. Há pesos que não são os exercícios físicos que eliminam, mas o perdão que alivia. Sabe aquele “deixa pra lá?”; “virar a página”; “rir disso tudo”. Não há nada que deixe o corpo mais pesado do que um coração cheio.
Por vezes, a gente critica tanto, que esquece de olhar para si e, quase sempre, não é o outro que está errado, mas a sua maneira de olhar pra ele e esquecer que você também tem suas fraquezas, os seus deslizes, as suas falhas.
Vejo os discursos das redes sociais serem intercalados entre o veneno e o amor. Como pode um coração tão envenenado (que deseja que as pessoas paguem, sumam, que falam só de inveja, de raiva, de vingança, de que fulana(o) é cobra, de traição) achar que aí dentro, bem dentro, existe mais amor do que no outro?Tantas vezes, a gente precisa mesmo é viver lá fora para se desintoxicar desses meios virtuais que envaidece o ego e nos faz achar que somos donos das verdades que a gente cria.
E já que somos nós que a criamos, só cabe a nós digeri-las, não mais a ninguém. Um dia eu também criei as minhas verdades, e quis em alguns momentos que elas fossem engolidas goela a baixo.
Mas uma coisa a gente aprende, cuspir do veneno que a gente alimenta, não mata o outro, mas a nós mesmos.
Mais função social por aqui, menos, bem menos ataques, farpas e (in)diretas.
Essa não é uma verdade, é uma reflexão sem causa, pra gente tornar a time line mais leve também, já que a vida sempre pede bis.
Antes de pedir que Deus te livre da maldade do outro, que ele também possa te livrar da tua.

sábado, setembro 5

Funilaria da alma.


Quando o corpo já não pede somente ajustes na pintura, mas muito mais reformatações nas peças de dentro. É quando a gente deixa de pensar em caber apenas na roupa, pra caber em si, tomando as rédias do que é apenas seu e dos teus. Seja lá qual for à ordem.
É refazer a desordem interna, minada por síndromes do tempo, da insuficiência de palavras, da fragilidade que a palavra do outro causa nele, não mais em nós. E o que vão pensar? É difícil digerir o “ninguém paga tuas contas”, porque chega uma hora que ninguém paga mesmo, e os acertos serão entre você e você, e, certamente, estas consequências são maiores do que o que pode ser dito de fora pra dentro. Deixa tudo fora, ficamos mais leves. Pior é quando a gente tem que escutar o que vem de dentro, dói mais, judiação interna, escutar a ti mesmo, mas te escuta.
Temos os nossos divisores de água, a potência dos nossos motores, o tipo de combustível que desejamos nos alimentar para conseguirmos caminhar. E, assim, SEJA.
Seja o que você quiser, seja o que você sempre sonhou ser, deixe que os teus planos guiem a tua jornada que é finda, é a certeza, a convicção que carregamos, não é? Das outras, quais é a mais correta? Não há! A vida é breve, e precisamos sentir isto para poder viver o agora, o hoje, o presente, sem "quandos", mas com quantos!
Então pronto, que a gente prossiga, fazendo reparos, saindo de si, mas voltando sempre a caber dentro da gente, porque quando saímos de nós, o bicho pega, e pega mesmo! É, eu estou voltando pra mim.
Luana Bispo.

segunda-feira, agosto 24

Dá pra vê. A ausência causa estrago na ponta do sorriso. Ele trava, e não consegue, por um tempo, ser mais aberto do que aquilo que o coração transmite. É difícil. Ser amigos, agora, não é a hora, é desculpa. Desculpa só pra me ter. Desculpa só pra me vê. Desculpa para nutrir o seu ego em paz, enquanto há guerra em mim, em nós. Os cacos não se transformam mais em cristal. Agora é seguir, o tempo cura, mas não cola, não enrola, nem divide. Vamos ser inteiros, cada qual para o seu lado, mas deixa eu aqui, você por lá. Um dia, a gente tropeça pelo caminho e os sorrisos estarão leves, destravados de novo, no canto da boca que não será mais tua.

segunda-feira, abril 13

Sou a primeira vírgula daquela frase, que não  espera o ponto final para concluir o parágrafo. Me enterneço de reticências, porque me refaço de continuidades. Nunca findo, pois até as tristezas passam, sem precisar que se conclua, apenas se (re)estabeleça. Não sofro mais da síndrome das histórias inacabadas, sou leviana aos casos, porque de acasos a gente vive. E se não esperarmos por novas chegadas, não nos permitiremos, não nos significaremos. A minha identidade também tem crises, porque, o que queria ontem, nem sei mais se hoje existe, nesse mundo louco, deslocado de tudo que a gente diz não acreditar, confessar, mas vive. Entender quem eu sou é difícil até pra mim, quanto mais pra você que, supostamente, acha que me conhece. Dane-se o alicerce da lucidez. Eu quero é a vida transgredida de felicidade.

domingo, março 29


Verbalizei o que sinto. Disse, por não gostar da indigestão que causa o não dito. A minha ansiedade tem pernas, corre mais que eu, acelera as palavras e, as vezes, até se engana. Mas, quem nunca se engana? O que não vale, é se engasgar com as palavras. E mesmo que hoje eu não diga, por dentro, meu olhar te diz tudo, por isto, nessa flexibilidade de pouco dizer com a fala, eu te digo com o olhar, que permite uma interpretação mais ambígua, mas nem tão menos dolorosa do que as fonéticas possam te falar. E, se eu não disser, entenda, já não vale mais ser dito, apenas esquecer e silenciar. 

Luana Ferraz
@cartasdeamornaodoem

domingo, março 22


Ontem, depois de te encontrar, guardei o choro e levei pra casa, engoli todas as palavras que gostaria de ter dito, na verdade, não era de silêncio que eu queria ter feito aquele momento. Você falou tudo que queria e, desajeitadamente, só disse tudo bem e fui. Mas, não estava tudo bem, um coração perplexo estraçalhou-me por dentro, enquanto a razão me replicava todos os "eu sabia que isso ia acontecer"; "não era pra você ter entrado nessa". E eu entrei, entrei com a alma que sonha em encontrar o amor, o amor que deve ser da vida, mas não totalmente do outro. A gente peca assim, se entregando demais aos acasos que parecem casos eternos naqueles infinitos segundos, naquelas infinitas horas, naqueles infinitos meses e anos em que a gente acredita que encontrou o amor da nossa vida e tudo pode ser para sempre. Que droga ter que começar tudo novamente, isso cansa!


@cartasdeamornaodoem

sexta-feira, fevereiro 27





Não encontrei a metade da laranja, nem a tampa da panela. Desisti desse joguinho de encaixe, nem lego, nem quebra-cabeça. Quero uma peça diferente de todas as que encontrei, pode até ser que não tenhamos os mesmos gostos, eu me satisfaço, mas nesse "zilhão" de pessoas, desejo ao menos alguém que não minta, não finja, não fuja. Eu quero verdade, cara lavada e presença. Porque viver de joguinhos nunca me interessou, então chega de lances e deslizes, eu quero o sério, por inteiro, com montanha russa na barriga, mas pés fincados ao chão.

Luana Ferraz
@cartasdeamornaodoem

sexta-feira, fevereiro 6

Eu em mim mesma.

Eu, ciente de mim, esvaziei os meus espaços para não cometer os mesmos erros, nem alimentar as velhas angústias. Eu, despida de mim, revelei os meus fracassos, as minhas inseguranças, destemperanças, fragilidades, sem ter medo da cara dura. Eu, movida por mim, me remontei de alegrias, reciclei as decepções para sorrir de mim mesma, das minhas loucuras. Eu, renovada de mim, sou metade preenchida e a outra a espera das novas experiências. Eu leitura de mim, agora me leio inteira, sem o medo e vergonha de saber quem eu sou.

quarta-feira, janeiro 7

Uma nova safra



Li, dia desses, que a plantação de citrus quando afetada por uma certa praga é completamente destruída por dentro, como quem come o seu miolo, mas não a torna imponente do lado de fora, pois mesmo infectada, ela se mantém de pé, robusta e com vigor.

Fiquei com isto na cabeça faz alguns dias. Analogamente, fiquei pensando naquelas pessoas que encontrei ao longo do ano e que dentro dessa situação me parecem ter sido contaminadas pela mesma praga que atinge a plantação de citrus.

São pessoas que mantém a pose, mas não conseguem sustentar a classe, pois são sempre mal educadas com os outros, estão sempre com implicações, com criticas e com um mal humor fora do comum. Elas conseguem se vestir bem, mantendo a casca, mas foram atacadas por micro-organismos da vaidade, do rancor, da estupidez que não são refletidos na aparência, mas na sua essência.

Pensei também naquelas pessoas do sorriso gentil, das atitudes polidas e amigáveis fora de casa, servindo sempre de exemplo para a mãe do amigo, enquanto na sua família são grossas, destratam seus pais e parentes por um excesso de intimidade que lhes fazem acreditar que isto é suficiente para não agirem com a mesma sensatez como costumam tratar os amigos. Fora de casa ele é o amigo da galera, dentro de casa seus pais são seus inimigos. Por estes, perdi minha total admiração.

Além destas, lembrei daqueles que são quase sempre agradáveis, e digo quase, porque quando ela/ele se senta alguns minutos ao seu lado, o espírito do dinheiro ataca-lhe não somente a mente, mas o corpo, os gestos e o discurso, não se fala em outra coisa que não seja dinheiro. Contaminado pelo danoso espírito do capitalismo, neste sentindo, é aquele que acha que tudo pode, que tudo tem e esquece que o dinheiro não compra as melhores coisas da vida, o amor e a saúde. Nos últimos tempos, este tem sido para mim a pior praga, porque ela consegue manter o vigor, a pose e o ar de boa gente, mas quando olhamos a fundo não conseguimos enxergar nada, embora ela ache que tenha tudo.

Ao nosso redor existe um fenômeno de envenenamento constante, no escala das escolhas, uma das piores, a do egocentrismo, que não nos deixa enxergar nem as margens do nosso próprio umbigo. Estamos focados nas nossas necessidades, se é que entre elas, algumas sejam de tanta urgência assim, pois existe um grau de prioridades que são dados na vida e quase sempre não paramos para refletir sobre isto.

Certamente você deve conhecer alguém que está contaminado, obviamente não pela praga do citrus, mas por outros agentes que a destruíram por dentro, podaram suas raízes, mas não foram capazes de destruí-las por fora, embora, até externamente, o tempo também tenha se encarregado de acometê-la da ausência de brilho, de alegria, de presença, pois o vigor humano não se mantém sem amigos, sem família, sem amor, sem saúde espiritual, por mais dinheiro e poder que você tenha.

E aí, ao contemplar esse cenário me vi pedindo a Deus que também me livre das pragas alheias e das próprias pragas que eu possa fazer existir dentro de mim, que me refaça não por fora, mas por dentro, me ensinando a enxergar como ceifar todos os agentes daninhos que contaminem meu coração, que é humano e cheio de falhas, pois a pior consequência dessa praga eu ainda não contei, embora de pé, ela não permite mais que as árvores deem frutos, e eu assim como desejo para mim, também anseio que as pessoas do mundo continuem dando frutos de uma boa safra, pois nada melhor na vida do que reproduzirmos com essência aquilo que a aparência sozinha destrói: a amor.

Que nós possamos encontrar pessoas de boas safras ao longo de 2015, e naquele cestinho da sua alma, você consiga levar pra casa o amor, a caridade, a paz, a saúde, a amizade, a família, o companheirismo, a lealdade, a prosperidade que você busca.



Feliz Ano Novo.