quinta-feira, março 12

Sentinela das incertezas.

Ontem na sua introspecção, foi fitada nos olhos e não soube responder a pergunta que foi feita. Se tudo estava bem, não lhe cabia dizer. A harmonia ociosa fugia pelos traços, o rosto bem delineado, os trajes discretos e comportados, mas uma sedução avassaladora que nem ela sabia explicar. Um vestido branco e um salto apenas para lhe dar mais confiança na postura. Ela precisava voltar a andar no alto, embora tenha perdido a prática. O cheiro que exalava deixava ela mesma ébria, pacífica em sensações (in) subordinadas. Ninguém entendeu a sua serenidade. Insistentemente perguntavam do que se tratava, ela não é assim. Tagarela e sempre com ar de pessoa feliz, consegue galgar seus dias e dobrar o cansaço. Mas ontem, sinceramente, ela não era ela. Compreendia facilmente suas feições, ela escondia o sorriso ao baixar a cabeça, e seu coração volátil se desarmava todo para dizer do que não sabia. Bastava-lhe o silêncio, enquanto por dentro tudo estava em erupção. Dessa vez o coração ficou de lado, por esses dias, o que mais lhe tem incomodado é o futuro incerto, a sentinela da dúvida que não cessa em mostrar-lhe que tudo está por terminar, mesmo que ainda seja o início de um longo caminho a curtos prazos. Quem dera ela soubesse onde tudo fosse parar, principalmente os planos em que há muito desejou concretizar, perto e longe, foram verificados na mesma sintonia. É um foco novo, na verdade, muito antigo, que se misturou com o abstrato das sensações e agora se tornou um só. Precisamente, ao chegar em casa, desejou fugir de suas autocobranças e dormir, se possível, dormir sem sonhar. Quem sabe assim, lhe faltassem predicativos verbais para os dias seguintes em que seus sonhos insistem bater na porta e não desgrudar enquanto não houver respostas... Ela está bem, mas o momento é mais profissional que tudo...