quarta-feira, janeiro 22

Carta ao desconhecido.


Carta ao desconhecido

Meu Caro,

Gentileza não é apenas palavra de verbete, é gesto. Não te ensinaram a pedir permissão quando se quer pegar ou entrar em algo qualquer que seja? Não te levaram para algum lugar em que tivesse ouvido um “com licença” antes de abrir a porta e, simplesmente, entrar?

Não concedi a você e a quem quer que seja o direito de bater à minha porta, adentrar em minha vida sem que eu tivesse dado a permissão. Você invadiu com a sua lógica através da bagunça que é a vida para tirar as suas impressões superficiais e idôneas. Antes de mim, a farsa vem de você.

A loucura, neste sentido, não é de todo perdoada. Eu sou propriedade privada de mim mesma e não costumo abrir espaço para quem não é ao menos chegado. Foi decisão minha não permitir que fizessem berço esplendido de mim. Já tive hábitos com desconhecidos, agora não construo pontes com quem não sabe ambientar o coração.

Até este espaço, tão aberto, também não te pertence. É uma mania de achar que o centro da coisa gira em torno do que nunca existiu. Eu apenas te reconheço da probabilidade. Do conceito indireto de saber que a curiosidade sobre a minha vida gira em torno da tua inveja, e só pode ser isto, diante de tanta sina em mim. 
Se não fosse ela, você não teria tanto interesse em escavacar a minha vida virtual. Por sinal, nenhuma das minhas redes precisa ser real para existir. O imaginário é teu, então, faça o favor de se virar com os seus julgamentos.

Centenas de fotos não podem dizer o que uma pessoa é. Nem estas palavras, nem aquelas outras. Todos os meios que te levam a mim são precipícios, um canto escuro que gera impressões descabidas sobre quem você apenas deseja conhecer, mas, lembre-se: não conhece.

Chega desse papo de adjetivos. Não quero pronomes, nem verbos de ligação vindos da tua ausência. Não existirá chegadas.Eu nunca fiz questão de ter por perto quem apenas passou por mim, mas nunca ficou. Repare no meu interesse, estanque e deserto. Nunca obtivesse de mim sonoridade se quer, então, aqui ou ali, me deixe em paz.

A propósito enquanto você lê, uma roda de conversa se inicia na sua consciência. É perseguição demais para um interesse mínimo. A minha vida não é um seriado americano, por isto, não perca seu tempo procurando tanto saber do que não lhe é cabível. O brilho ofusca e  incomoda, deve ser por isto que nessa condição que se colocasse és impulsionado a vir novamente nesta página procurar o que dessa  vez você vai encontrar, palavras, enfim, direcionadas a você.

Vê se me esquece, segue teu rumo e vira a esquerda, o meu caminho é outro, sem qualquer pegada que não seja as que eu permiti por amor, identidade e nenhum sacrifício a estarem perto de mim.

Invada e assole a vida de quem é igual a tua: vazia e descabida.

Você para mim é desconhecido, mas eu suponho quem é você além do que você pensa.

Boa sorte.