domingo, março 8

Mulher Literal

Quem foi que disse que beleza condiz apenas a fatores externos? Cílios compridos, olhares marcados, boca delineada, cabelos longos, sedosos, pele macia e corpo de violão vão tudo por água a baixo, quando a mulher não tem em si inteligência suficiente para ser humilde. Ela não consegue o que mais seduz, estigmatizada, confisca olhares, perturba pensamento e coração.
O seu estereótipo passa ser um caixa de olhares vazios, que se preenche pelos desejos carnais do outro.
Mulher pra ser bonita tem que ter humildade, sabedoria, discernimento, maturidade. Esta sim, conduz consigo a melhor vitalidade dissipada em sorrisos, conversas claras, olhares seguros, tem risos sarcásticos, simpáticos, irônicos, dissimulados que sabem seus devidos momentos.
São presenças femininas que marcam ambiente pelo cheiro, pela marca da personalidade forte, pela eficiência no trabalho, pelos discursos pautados, pelo poder de persuasão.
Bonita, é aquela que sabe cumprimentar a todos com simpatia e serenidade, sabe seu espaço, não precisa de risos frouxos, de musicas cantaroladas em ambientes inadequados e inoportunos. Mulher convicta tem postura, ela sabe o lugar certo para usar seu egocentrismo, seu lado comutativo, suas superstições, sem deixar de lado a vaidade e o lado sentimental clichê, amores em reticências, findos.
Mulher bonita sabe usar da coexistência entre o racional e sentimental. Tornou-se obsoleta beleza feminina que não tem conteúdo, vulnerável a quantidade, sem ordem, pudor, modeladas pelos arquétipos de novelas, seriados, filmes. Mulher pra ser bonita tem que ter mais do que o famoso “borogodó”, tem de ser letrada, e quando não, tem habilidades que as fazem grandes, sabem falar sobre os mais variados conteúdos com acertos e criticas, cala pra ouvir, pára pra pensar.
São exatamente as que conseguem refletir sua beleza interior que se destacam entre tantas moldadas. Quem não se perguntou um dia, o que ele viu nela? Pergunte primeiro, o que falta em você?
Talvez a resposta esteja concentrada na sua busca pelo amor próprio, no seu investimento pessoal, na falta de aspectos factuais, vida cômoda é aquela fruto de teorias, quem não tem pratica, conhecimento empírico de suas próprias realidades, conceitua adjetivos com propostas fúteis, argumentos de nada plausíveis.
Uma mulher pra ser bonita não precisa de um batom na penteadeira, de curvas corporais perfeitas, cabelos estirados, ou roupas de marcas, para se compor deste adjetivo basta ter na cabeceira bons livros, e um mundo peculiar regido em humildade.