segunda-feira, março 9

Vide cor meum

Luana procura, de todas as formas, arrancar de seu coração um sentimento que (segundo ela) a intoxica, a faz sentir-se fraca, que a assombra a despeito dos seus exorcismos e dos seus mais fervorosos pedidos a Deus. Então Luana decide substituir aquele amor por outro. E ela faz isso mais de uma vez, e se propõe a fazer isso quantas vezes forem necessárias até que ela se convença, enfim, de que já o esqueceu. Sem muitas opções, Luana decide negar para si mesma e para o mundo que o ama ainda, e o faz de forma aberta e escancarada para que todos digam amém (e eles o fazem). Luana ri de si mesma (e dele) quando lhe assalta a vaga possibilidade de se amarem ainda, entrega todo o seu desejo, o seu tesão, os seus lábios e seus presentes para alguém que não seja o seu “tóxico”. Porém, nas noites frias, em seu travesseiro, Luana o tem novamente em seus pensamentos mais saudosos. Sente raiva, não desejo, mas raiva... Raiva de ter se envolvido com ele um dia, raiva de todas as ofensas que trocaram, raiva do fato dele existir, raiva de ser tão trabalhoso esquecê-lo definitivamente e raiva de não tê-lo ainda “matado” embora procure se convencer disso todo santo dia. Luana sente-se poderosa por conseguir conquistar quem ela quiser, e poder esfregar na cara dele suas novas paixões. Diz que está pouco se lixando pra ele e pede, insistente, para que ele se apaixone por outra... Luana o tem como a pior experiência afetiva da sua vida, o pior dos seus erros amorosos, o relacionamento mais doloroso e traumático. Porém Luana se esquece de uma frase que ambos concordaram um dia; Não adianta muito casar com alguém que pensa-se amar e, um dia, acordar ao lado dessa pessoa e sentir saudades de quem realmente se ama... Marcelo [http://novasamenidades.blogspot.com/] Vocês precisam conhece-lo, escreve do amor da forma mais simples e sutil que já conheci. Nesse texto ele vagou pelo meu intimo, sem sentir, sem ter pretensão alguma e trouxe ela até aqui...