Surgiu em mim e foi como realçar todas as arestas desfiguradas que me saltavam as linhas daquele espaço todo delimitado que nos dá inspiração. Nesse modo de viver, nessa maneira de querer resgatar o momento para ser hóspede de sensações instantâneas que salvam os dias e proporcionam as sensações mais equivocadas possíveis é que conseguimos soltar os pés do chão e flutuar pelos lugares mais inusitados e permeáveis. Brinca-se com as palavras, com as juras e com os desejos para dar leveza ao que se sente. Torna a hora calorosa quando há certeza de partidas. Levar os sonhos no sorriso e ser vigiado a todo o tempo para não dar vez à ilusão. Depois que tudo passa, que a vida real volta a girar no seu contexto todo insatisfeito de responsabilidades, a gente sente um aperto no peito, uma vontade de agarrar o verão pelos pés e não deixar que passe tão cedo. É difícil desgrudar do sol, dessa estação que causa euforia, que vira o cotidiano de cabeça pra baixo e que nos deixa sobre um eixo todo confuso. Principalmente quando, no meio de toda essa bagunça, surge a presença da afinidade, de companhias que nos duram o tempo necessário para gerar lembranças. Boas lembranças e uma saudade gostosa que não sabe bem quando será recompensada, mas que tem a certeza que ficará guardada como recompensa dos dias felizes proporcionados.
domingo, fevereiro 1
terça-feira, janeiro 13
Faz sol lá fora...
A minha alegria está de ressaca, deu vez a tristeza e ao emaranhado de pensamentos soltos que ficam flutuando pelo coração. Faz sol lá fora, mas aqui dentro sinto um dia nublado, uma sensação de querer voar pra bem longe e não voltar tão cedo. Deixar que o tempo se encarregue de mostrar quando devo pousar novamente, quando devo dar vez a todas as oportunidades que existem no viver que é lindo, e eu sei. Os dias não são constantes, o vazio enche a alma e me deixa pesada, cheia, contraditoriamente. Não vou dar nomes, nem sempre amanhecemos felizes, com dias amarelos, azuis, mas o tom cinza hoje me prevaleceu desde a manhã e a mente não pára. Quanta coisa há dentro de mim, nada some. Há tanta gente, tanto sentimento, várias perguntas sem respostas, várias respostas sem sentido e um aglomerado de planos. Estou só, a gente quer enxergar o bonito e não consegue, quer entender os significados e eles pairam, fogem da mente. As pessoas passam distantes, mas estou aqui... Eu aprendi a crescer com a tristeza, e o melhor de tudo, é que ela me deixa com os dedos soltos e sobre uma vontade de não parar de escrever, como se todos os sentimentos saltitassem nas pontas pedindo clemência para as palavras... Nessas horas a escrita me abraça, me afaga os cabelos e me faz adormecer...Quem sabe amanhã, eu traga alegria de volta por aqui. Que os anjos me protejam, amém.
