sábado, fevereiro 28

De volta a vida real.

Estou tentando me fazer bem desde o dia dezessete quando deixei todas as cartas na mesa para seguir a euforia do momento. Foi bem assim, esqueci por alguns minutos a fantasia que a lua me deu, para por a mascara do carnaval. Batata, na hora que era pra acontecer, fiz. Quem dera não tivesse sido tão arriscado quanto contemplar o infinito, a multidão corpórea que se esvaia em olhares, beijos maltrapilhas e rostos completamente retalhados de solidão. Quase sempre é assim, empolgação confusa que nos conduz ao emaranhado de pensamentos. Conflitos internos são gerados logo depois que tudo passa, mas, diante desse mundo louco, todo desolado, sem o modo compreensível do “agora”, a gente pede pra viver com fantasia 24 horas. É que algumas vezes, ter que assumir a postura moral que a sociedade tenta nos impor é desestimulante. Me sinto nua, desprovida das letras, quinze dias sem leitura me deixa torpe. Outdoor com letrinhas brilhantes, congratulações e propagandas enche a cabeça de qualquer um, imagina escutar vinte quatro horas por dia que é preciso buscar Dalila, ligeiro. Dalila é bom para os pés, a gente dança e se encanta com a alegria do outro, com a minha alegria inclusive de querer se esbaldar no ritmo contagiante do axé, que nessas horas é bom para espantar qualquer coisa de ruim que você tenha. Voltar pra casa? Não, só mais alguns dias e já seria de bom tamanho, e alguns mais. O mais engraçado de tudo, é que diante de toda a brincadeira e dentro de um circuito de energia completamente positiva, eu deixava Luana em casa e buscava a Maria. A Maria susceptível aos instintos carnais que se afloram nesses dias, e não deixa a gente pensar em coração. Ao ritmo cardíaco o que interesse é a adrenalina. De repente, quando tudo estar para acabar, o destino insinua a chegada e te coloca bem a frente daquela solteirice aguda bem resolvida. Como é que fica a situação? Depois de ter achado, não se quer perder, aos pulos, a gente gruda no pescoço, enche de beijos e devora a saudade de quase dois anos que já não agüentava mais esperar pelo encontro. Pronto, aconteceu. Tem Happy End por aqui? Porque o final que trago indica novamente saudade, saudade e cansaço dos quilómetros que sempre me perseguem quando tenho certeza do que quero. A solteirice aguda voltou a aporrinhar, e me puxem a orelha porque dessa vez confesso, eu extravasei , fui além do que podia, mas o que importa é que me fez bem, muito, muito bem.