segunda-feira, novembro 12

Retalhos de um coração.

O coração não é feito quebra-cabeça que a gente pode montar e desmontar a hora que quiser. Mesmo se fosse, não teríamos o direito de permitir que os outros fizessem dele o que bem quisesse. O coração não é um campo lúdico onde se pinta o sete e apronta a arte, e, ao final do dia, volta para casa sem energia, mas certo de revigorar-se para o próximo.

Brincar com um coração é desgastante, é desumano demais, pois se tem um lugar que se consegue pisotear e nos deixar em frangalhos, abatidos e sem força, é nele.

O coração não é um órgão regenerativo, se você o fere demora a cicatrizar, se é que se cicatriza. 

Maltratar um coração é falta de respeito, é desolador, e só se sabe o tamanho da dor sentindo. Não há nada que se compare, só a saudade de uma ida sem volta chega perto da dor de um coração machucado.

O coração é solo sagrado, evite entregar o seu a qualquer pessoa, em qualquer mãos. Não deixe que façam dele o que bem entender, entenda você e faça o que não quiser com ele.

A dor de um peito partido, a falta de ar de um coração ressentido deixa o riso pequenino, os olhos marejados, a vida sem cor. Ele bate e não bate, mas, bate.

E nesse bombear é que a gente se consola com a vida que se leva, com os dias que nos levam e com o tempo que nos cura e nos salva com novas oportunidades.

Se você não tem a intenção de ser bondade na vida de alguém, não ouse brincar com o seu solo sagrado, dê meia volta e não se aproxime mais.

Quem tem ou teve um coração partido tem medos retraídos, saudades desamparadas, mas muito, muito mais forças do que um coração inteiro.

O coração feito colcha de retalhos possui em cada parte uma lição maior para ensinar e aprender cotidianamente.

Deve ser por isto, que hoje, com o coração novamente inteiro, eu me sinto tão forte, pois consegui fazer com os seus retalhos uma moldura que delineasse o limite entre a dor e a alegria. Enquanto a razão me maltrata, o coração me nina.