quinta-feira, agosto 5

O largo do coração.


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
(Vinícius de Moraes - Ausência)

O amor em muitos momentos é subversivo. À atrocidade que ele comete está à suplica ao encontro, você se descobre irreconhecível, desfalcado em seus princípios, com epítetos hipócritas e consentidos.
- Como deixei isto acontecer?! Você se interroga. Logo um filme se instala e a memória extremamente seletiva te acena com aqueles momentos marcantes e passageiros. É que tudo passou, passou tão rápido e deixou a coragem de continuar, embora o cansaço seja o ponto extremo desse recomeço.
Quem haverá de ter forças quando toda a credibilidade tornou-se desgastada pelas relações de autopiedade, diante das falcatruas permitidas pelo coração sem racionalizar nenhum ato daquela entrega imediata?! Alguém me responde?! Porque eu já não tenho mais respostas que me levem a entender (ou não) que culpa tenho, onde foi que errei mais uma vez no alvo, mesmo depois de longos quatro anos na escolha do inesperado. É merecido não ser entendida, mesmo que todas as minhas atitudes tenham sido de fé, boa vontade e doação?!
Mas, em contrapartida, que graça tem a vida se não arriscarmos? Se não apostarmos todas as fichas numa união estável e duradoura que nos levem a sermos respeitados em palavras e ações?! Nenhuma.
Repouso o coração conturbado em meus dias agitados, pois a ocupação tem seu bônus no esquecimento, ela permite que levemente os dias não sejam compartilhados com uma saudade vazia do que nunca foi seu, dos beijos completos que sempre faltaram, da sensibilidade incompreendida, de uma ausência longínqua de extrema frieza e insensatez.