segunda-feira, agosto 24

Sensitivo.

Um mundo de estrelas invisíveis onde à exatidão do brilho converge à busca do que é refletido na retina, na imagem consciente de que em teus olhos pulsa meu/teu coração.

Tenho medo do que sinto, do que faz girar, retomar o que antes estava estático, desacreditado, inconseqüente, querendo correr léguas dessa terra completamente desabitada.

Hoje eu acordei sentindo. Isto mesmo, como se um casulo estivesse prestas a ser rompido, e, pelo menos, mais uma vez, esse borboletário furta-cor viesse a me deixar meio boba, meio menina, menos sã das minhas tolas razões. E eis que eu sinto a vontade de dizer o que está à ponta da língua, e andar na ponta dos pés, como se tudo dentro de mim apenas levitasse.

Quando me devolvem o meu próprio lugar é onde eu consigo ser mais leve, onde o meu lado blasé se esvai pelos meus cinco sentidos e purificam meu coração com coisas marcadas, mãos, lábios, olhares e abraços. Eu sinto um encontro particular com uma esfera maciça de incertezas. Por aí, mais uma vez, eu me debruço e deixo que o mundo me engane primeiro, para que depois eu esqueça.

Vai ser assim, sem gravidade por dentro, com pés no chão, que darei asas ao coração, e se tudo ameaçar ser como era antes, eu volto pro meu nicho sagrado de silêncio, e refaço meus quilômetros, minhas frases, meu próprio convívio. Mas hoje, entenda: Eu apenas sinto.