segunda-feira, agosto 3

Largada de mim


Juras eternas e fatigadas. Precipício de certezas. Sonhos diurnos de vontade infundadas. Laço aberto. Nó desfeito. Peito largo. Coração miúdo.
Quem me trará a condição exata de viver entre sóbrios sacrifícios, relampejados nas autocobranças de me ter inteira?
Hoje me quero em partes, sem essa necessidade de desvencilhar os meus mistérios, de tecelar responsabilidades cotidianas que mostram o quanto a vida adulta é desgastante.
Quero o silêncio das estrelas bem dentro de mim, para que tudo brilhe,sem me ofuscar de confusão e incertezas. Borboletas não habitam mais meu estômago têm um tempo. Paixão é solidão desmontada, quebra-cabeça sem encaixe, a última peça foi pra fora da caixa ainda antes de ser fabricada.
Estar vazia, leve, sem ter o que pensar, habitada por lacunas, em reticências. Chega de pontos finais!
Pequenas palavras escondidas nas entraves da minha alma pra recompor as minhas forças. Tons claros e música.
Quero selecionar meus diamantes internos, ausentar-me dos planos pelo menos por um dia, fugir da ebulição dos meus pensamentos, sentar numa redoma de flores onde tudo me possa exalar amor.
Algumas horas de descanso de mim mesma, com amnésia para um Eu despedaçado em fatos e esgotado em emoção.