segunda-feira, março 23

Dar de si.

Tem vida lá fora e o que interessa fechar-se por dentro e não enxergar os que querem, os que imploram pela serenidade do sorriso, pela companhia de alguns minutos, pela conversa sincera, e o desabafo quase imperceptível de um coração cheio, que deseja um instante se quer para sentir-se vazio, tranqüilo, em paz. A contribuição sincera é a melhor maneira de amar. Amar o outro no seu jeito falível de ser, de querer acertar e acabar por errar mesmo sem querer. E errar querendo mesmo errar, e acabar sendo desconcertado ao acertar. Quantas exigências são feitas além daquelas obrigações diárias, ao ponto de não saber nem dar conta do si?! Alguém realmente te espera. Há tanto coisa sem conhecimento, há tanta ciência e aparatos inovadores por surgir que a dependência desumana é presunçosa demais. Não é preciso ir tão longe para se fazer novas descobertas, ao nosso lado há sempre alguém querendo ser descoberto, sem se tornar objeto de estudo, ou pesquisa cientifica para que suas dores possam ser entendidas. O peso da angustia vem marcado nos traços e expressões visíveis aos olhos, não é preciso atingir o coração para que se der conta do quanto de solidão existe pelo mundo. A mão não atingirá aonde as dores quase insolúveis se concentram num lugar merecido de afeto. As palavras, o apoio, e todos os gestos de boa vontade serão grandes, o outro sentirá essa imensidão. É valioso demais contemplar os olhos cansados de alguém que nem desejava estar com você naquele momento, mas , que ao te encontrar deposita toda confiança, e deixa sua amargura, angustia serem movidos pelo fala, onde o coração pesado sente um pouco de paz e deixa-se ser levado tantas vezes pelas lágrimas que desejavam ser conduzidas aos caminhos que elas devem percorrer. Deixa-se de chorar por dentro, e a leveza é consentida com um abraço e uma presença de verdade tão aceita e reparada no aconchego das palavras transpassadas pelas almas receptivas em afeto.