segunda-feira, janeiro 12

Onde você está?

Para de falar das minhas virtudes, de me qualificar com tanta coisa que não infla meu ego, nem me deixa sentido capaz de merecer algo melhor que você. Cansei dessa história de ser mulher pra casar, de que existem outras coisas melhores a me esperar, a se dispor à minha maneira, às minhas palavras. Inteligência não é um artifício tão certo, nem o rostinho bonito das fotos me envaidece. A presunçosa fadiga me dá desânimo. Estou farta de ouvir que a demora é porque o cara tem que ser certo, que não está na hora, que o presente será bem melhor do que todos os amores que tive e que essa mania de querer o que estar na distância é um refúgio, um meio desesperado da carência não se limitar em sentir. Chega. Pra mim já deu. Que medo é esse? Não sou tão cruel assim, falo demais, penso demais, escrevo sem perceber e quando percebo já não consigo mais parar. Quero um ser normal, com apenas alguns requisitos básicos: dignidade, disposição, reciprocidade, carinho, maturidade. Não peço pelo padrão de beleza de qualquer artista da “Globo”, nem de cara, nem de corpo. Quero um cara maduro, disposto a entender as minhas palavras e a permitir que elas também façam parte da sua vida. Há dias que acordo querendo dedicar tudo que está aqui. Nomear os textos com os episódios e os sentimentos que me dão a disposição necessária de sentir-me como princesa ou como plebéia desvairada em sono e cansaço. Meu sapatinho deve estar por aí, um trapo, largado em um número 35, pequeno e desgastado. Tenho pressa, não quero mais ter a minha própria companhia em algumas noites de sábado. Tomar vinho sozinha e dormir entorpecida de uma saudade que nem sei do quê. Quero “voltar” aos lugares que fui e aos que ainda não fui nessa vida real. Estabilizar meus sonhos, colocar em prática toda a minha criatividade, sensualidade de mulher apaixonada e contar as horas para o encontro. Não quero mais as ligações esporádicas, nem os encontros casuais. Quero titubear todos os dias ao escutar a tua voz, dizer coisas sem esperar, digitar as cartas de amor sentindo o coração sair pela boca e esperar ansiosa a hora de entregá-las. Sou normal, quero poder me apaixonar, ter alguém como há tanto tempo não tive. Deixar de lado as aventuras que crio para poder me desvincular - pelo menos um pouco - do vazio que me carrega já faz anos. Ainda não encontrei, nem aqueles que me deram o prazer das partilhas foram capazes de me levar aonde queria ir. E não há nem uma espera em querer demais, é simples. O que busco, mesmo sabendo que sempre aparece quando menos espera, é aquele cara que pelo menos uma vez ao dia me permita sentir que encontrei a pessoa certa ou, como diria Luiz Fernando Veríssimo, a “pessoa errada”, aquela capaz de me fazer feliz como há tempos no mundo do composto já não sei mais o que é. Embora, todas as minhas paixões tenham me trazido contentamento e coragem, mas dilacerado esse órgão pulsante que faz a gente esquecer das feridas quando o amor cisma em aparecer novamente, porque amar uma vez na vida é para poucos. Neste universo de passagens, onde uma das esperas mais intrigantes é o amor, me disponho todos os dias a encontrar alguém que me queira de verdade, do jeito que sou.