quarta-feira, janeiro 7

Uma nova safra



Li, dia desses, que a plantação de citrus quando afetada por uma certa praga é completamente destruída por dentro, como quem come o seu miolo, mas não a torna imponente do lado de fora, pois mesmo infectada, ela se mantém de pé, robusta e com vigor.

Fiquei com isto na cabeça faz alguns dias. Analogamente, fiquei pensando naquelas pessoas que encontrei ao longo do ano e que dentro dessa situação me parecem ter sido contaminadas pela mesma praga que atinge a plantação de citrus.

São pessoas que mantém a pose, mas não conseguem sustentar a classe, pois são sempre mal educadas com os outros, estão sempre com implicações, com criticas e com um mal humor fora do comum. Elas conseguem se vestir bem, mantendo a casca, mas foram atacadas por micro-organismos da vaidade, do rancor, da estupidez que não são refletidos na aparência, mas na sua essência.

Pensei também naquelas pessoas do sorriso gentil, das atitudes polidas e amigáveis fora de casa, servindo sempre de exemplo para a mãe do amigo, enquanto na sua família são grossas, destratam seus pais e parentes por um excesso de intimidade que lhes fazem acreditar que isto é suficiente para não agirem com a mesma sensatez como costumam tratar os amigos. Fora de casa ele é o amigo da galera, dentro de casa seus pais são seus inimigos. Por estes, perdi minha total admiração.

Além destas, lembrei daqueles que são quase sempre agradáveis, e digo quase, porque quando ela/ele se senta alguns minutos ao seu lado, o espírito do dinheiro ataca-lhe não somente a mente, mas o corpo, os gestos e o discurso, não se fala em outra coisa que não seja dinheiro. Contaminado pelo danoso espírito do capitalismo, neste sentindo, é aquele que acha que tudo pode, que tudo tem e esquece que o dinheiro não compra as melhores coisas da vida, o amor e a saúde. Nos últimos tempos, este tem sido para mim a pior praga, porque ela consegue manter o vigor, a pose e o ar de boa gente, mas quando olhamos a fundo não conseguimos enxergar nada, embora ela ache que tenha tudo.

Ao nosso redor existe um fenômeno de envenenamento constante, no escala das escolhas, uma das piores, a do egocentrismo, que não nos deixa enxergar nem as margens do nosso próprio umbigo. Estamos focados nas nossas necessidades, se é que entre elas, algumas sejam de tanta urgência assim, pois existe um grau de prioridades que são dados na vida e quase sempre não paramos para refletir sobre isto.

Certamente você deve conhecer alguém que está contaminado, obviamente não pela praga do citrus, mas por outros agentes que a destruíram por dentro, podaram suas raízes, mas não foram capazes de destruí-las por fora, embora, até externamente, o tempo também tenha se encarregado de acometê-la da ausência de brilho, de alegria, de presença, pois o vigor humano não se mantém sem amigos, sem família, sem amor, sem saúde espiritual, por mais dinheiro e poder que você tenha.

E aí, ao contemplar esse cenário me vi pedindo a Deus que também me livre das pragas alheias e das próprias pragas que eu possa fazer existir dentro de mim, que me refaça não por fora, mas por dentro, me ensinando a enxergar como ceifar todos os agentes daninhos que contaminem meu coração, que é humano e cheio de falhas, pois a pior consequência dessa praga eu ainda não contei, embora de pé, ela não permite mais que as árvores deem frutos, e eu assim como desejo para mim, também anseio que as pessoas do mundo continuem dando frutos de uma boa safra, pois nada melhor na vida do que reproduzirmos com essência aquilo que a aparência sozinha destrói: a amor.

Que nós possamos encontrar pessoas de boas safras ao longo de 2015, e naquele cestinho da sua alma, você consiga levar pra casa o amor, a caridade, a paz, a saúde, a amizade, a família, o companheirismo, a lealdade, a prosperidade que você busca.



Feliz Ano Novo.