domingo, janeiro 5

Quando a paixão bate a porta...


Quatro da tarde, sala vazia e um infinito mirava o foco no oco do meu coração. Eu queria partir como quem tem tino de coragem para repor as cores da certeza que até então me faltava. Foi bem nesse instante que ele surgiu.

Foram alucinações, momentos de embriaguez de corpos. Como não repor o fôlego diante de tantos sonhos conjuntos? Parecia que tínhamos a forma e a função dos corações iguais. Eu não queria partir dali, ele não queria me deixar ir.

Nos grudamos, juntamos os trapos e fomos viver numa casinha que não era de sapê, mas era feita “com muito esmero, na rua dos bobos, numero zero”. Foi paixão a toda prova, caiam borboletas dos meus olhos. Pássaros saltitavam do meu sorriso, esbarrando em gente que se quer conhecia. Contaminei-os, era um levitar de sensações que não dizia de onde e para quê veio. Foi inesperado, como um vulcão que acorda depois de décadas adormecido.

Não era décadas, mas já faziam alguns anos que eu não respirava com o mesmo fôlego dos quinze. Parecia bobo me jogar naquele céu azul, no amarelo solar daquele moço bonito por dentro e por fora. Construímos pontes indestrutíveis, ele não sabia ser outro livro que não fosse eu a história. Eu não sabia começar outro parágrafo que não fosse ele o inicio.

Entre o ir e o vir era no abraço que a gente sempre se encontrava. Os passos acelerados de quem sentia ansiedade por conjugar verbos que estivessem no presente e no futuro se apressavam em fazer hora, na verdade, não queria fazer segundos, por isto, se infiltrava nos delírios daquela paixão.

Foi quando descobrimos que a paixão estava presente. Tudo ao redor tornou-se bonito e leve, é assim que enxergarmos à nossa volta quando estamos apaixonados. O cotidiano baila e nos leva a cavalgar por estradas desconhecidas. Medo? Não há medo para ser feliz.


Escolhi o improvável e nele me arrisco numa esfera bem torpe de ternuras e promessas. Este é o aconchego de quem vive a primeira etapa de um encontro em desatino. Mas, nesse lugar não tinha amor, era aventura e interrupção...

Foram ordens do destino, a paixão que era combustível para a nossa relação, tornou-se competição, brigas vazias que nos roubavam a paz. A lealdade partiu e ficou a sombra de um amor que nunca aconteceu, apenas a sensação de posse de quem rouba a felicidade de alguém prometendo-a fazer feliz e parte, com egoísmo e infidelidade, tipico de um coração leviano que brinca, joga e desfaz todo os sonhos à beira do olhar.

Sorte de quem descobre que o amor vem depois, bem depois do leviano traje que tem a paixão.