sexta-feira, maio 13

Revisitar

Na companhia dos pensamentos displicentes, a reflexão sempre chega a um ponto de partida que desemboca à margem do coração.

Nos comprometemos com as pessoas tantas vezes sem termos a noção do espaço que passaremos ocupar na vida dela. Eu confesso todas as minhas desilusões, e sempre confessei sem medo nenhum, sobre a minha bastarda carência, desastrosa e arteira. Nestes dois pontos, o meu espaço.

O espaço que fica daqui pra frente é uma narrativa minuciosa para o coração, par com a força que permanece pós ebulição dos sentimentos. Não me arrependo da matriz que me levou às apostas, a esperança incontida da outra metade. Utopia do romantismo, mas, quem não o quer?

Na quadra de número 1, no primeiro lote de memórias, o lado seletivo e sereno me mostra os sorrisos derradeiros, as gargalhadas e a companhia. As viagens, os apertos, os abraços e lógico, os melhores beijos.

Nitidamente, o desajeitado ato de arrumar o meu cabelo, o cafuné desengonçado na hora de dormir, a nossa hiperatividade. Partes de mim no outro, no olhar insaciável de saudade e nas ocasiões que não tinham se quer explicação. Daquela praia, a lua, eu, você, o barquinho e o banquinho, nada melhor que a sonoridade das ondas do mar e a tua fala. Do jantar, a cortesia e o ouvir. Sem jeito, o azul corpulento que provocou o coração. O cartão, a camisa, os almoços em família, o anseio de aquietar-se por ali.

Adolescência ingênua de dormir com as mãos entrelaçadas, ansiedade e expectativa para ninguém suspeitar da nossa paixão. O eufemismo da chegada. Os perdões e os pedidos. Me espera, me leva,me ajuda.

No primeiro lote, ficam as permissões, os sentidos mais devastadores que nos fazem rir carinhosamente pelo espaço e tempo de ocupação. Por aqui, nenhuma migalha de autopiedade, nenhuma ausência de amor. Só farturas de sonhos.

Ao atravessar a ponte feita intercaladamente de orgulho e simplicidade, encontro uma memória amalgamada, feridas não cicatrizadas. Lugar que se pisa com a ponta dos pés para não doer tanto. Fiquei à porta, não quis entrar. Neste lugar perene, anestesiado pela razão, eu não pretendo mais contar o conto. Mas desejo enternecer a fala, a casa.

De lá pra cá, no caminho de volta, encontrei com a brandura, e ela me confessou estar cansada das minhas incorreções, mas que permanece cheia de fé nos meus encontros. Na despedida, me afagou com os olhos e pediu paciência. Voltei para casa com o ânimo e ele me explicou que amor pela metade não traz ritmo acelerado ao coração, e que tudo iria passar, para fazer chegar o novo de novo em qualquer lugar... Dormi com a gratidão e acordei com a certeza de que o amor um dia há de fincar.