domingo, março 20

Esperança Midiática



A agressividade da mídia confronta. A realidade transmitida de maneira nua e crua proporciona uma propagação ainda maior das ideias. O cotidiano das imagens torna-se apelativo, caótico, descrente, e nos deixa temerosos quanto ao mundo em que vivemos, quanto à apoteose de coisas devastadoramente ruins que vem tomando conta do mundo.

Não desejo que a realidade dos fatos seja mascarada, devemos estar cientes do caos que nos rodeia para podermos nos ampararmos da falta de escrúpulo proporcionado pela ausência de uma justiça que precisa de ética, de um governo descente que seja eficiente em todos os lados. É preciso mostrar a outra face da moeda, as coisas boas que também acontecem no país – não são poucas – e que podem ser construídas pela informação de maneira que estabeleça a propagação de concepções mais humanas, de atitudes que estabelecem elos, de projetos concretizados, de crescimentos, todos estes centrados nos acontecimentos proveitosos que nos dão animo em saber que apesar de amarga, a vida têm seu lado bom de ser vivido.

Estabelecer uma censura na mídia seria uma espécie de peneira, seletividade para as informações tão carregadas de estigmas, sensacionalistas, repetitivas e cruéis. Não venho aqui defender uma espécie de ditadura para tal, não! Concordo plenamente que as informações em formato de denúncia devem existir, devem fazer parte das manchetes do dia-a-dia como forma de mobilização, para que todos nós estejamos cientes e acordados para as incorreções, as brutalidades e as falcatruas desse mundo contemporâneo que se encontra pelo avesso. Mas estas não devem continuar sendo o foco principal, a estratégia contaminosa de querer reter a atenção do expectador através do sofrimento alheio. É mesquinho, estúpido.

A manipulação midiática é forte, e como instrumento divulgação poderia pensar em dissipar o bem, trazer esperança para esse povo cansado e descrente que luta diariamente por uma vida mais digna.

Na hora do almoço, ao invés dos "casos de polícia", deveríamos ter os "casos de felicidade", as risadas seriam mais fartas e o apetite bem mais recheado. Degustar de tristezas em horas tão sagradas leva embora o entusiasmo.

Eu voto por uma mídia seletiva, distante de forjar a realidade, mas capaz também de buscar os acontecimentos bons que acontecem – tenho certeza – na mesma intensidade que os ruins.

Foto: Victor Nunes