quarta-feira, julho 15

Sem cerimônia...

Vêm, corre aqui, senta aqui bem do meu lado e me fala um pouco da integridade da palavra amor, se é mesmo sentimento, loucura, de sua mensuração ou do descaso que ele causou em teu ego, a gente passa a vida procurar definição, agora me ensina... Diz um milhão de coisas sem sentido que eu vou achar bonito, vou querer te ensinar de novo o instante, o colapso nervoso, o frio na barriga, o veneno mais gostoso, os contornos sem precisão, as horas que não seguem... A tua roupa preta está bordada de arco-íris, o teu olhar transborda sorrisos, os teus sorrisos nos dão a visão. Quantas alegorias carregas em teu pescoço, brincas de circo, trapezista, mágico, até brincadeira de palhaço, macaco orangotango, leão. Ali, em cima do armário tem potes de afeição, um deles é teu, carrega, põe na mesa serve à tua casa, mas tenha paciência com a digestão... Digerir amor não é fácil, é preciso respeito, doses de perdão. Sabe, o amor tem dessas coisas, a gente atravessa os sentidos, põe rodinhas no coração e quer ultrapassar o tempo errado como se fosse certo. O amor é canto de pássaro encantado (ninguém vê, só ouve), é brincadeira de criança misturada com a maledicência de adulto. Não desvaira quem quer, quer sempre e depois desvaira. Ele escorrega, queima, faz dodói, cai, mas levanta. Amor que é amor levanta, dar a mão, insiste, acalma, abraça, conforta, briga, tem imperfeição. Não têm artigo, nem gênero, têm apenas verbo de ligação. Repete: Eu te amo, de novo... Eu te amo... Sujeito x Ação, amar é conjugado, é forte, é presunçoso em incorreções... Agora eu sinto, a frase existe e eu te digo de novo; o amor entrou em ação, sossega, resistir não é regra, se entregar é o primeiro passo da paixão, mas se você pediu amor respira fundo, abre as portas, ele vêm vindo...