domingo, junho 21

Em forma de S.

Ela quer contar, e quer cantar também. Deseja falar do frio, da meia noite, da noite e meia e da (des) esperança que desabrocha nessa nova estação, mesmo que segundo ditem seja ela a última que morre.

Chorou e sorriu para se esquivar das rugas de preocupação atestadas na sua face, celebre face. Retratou por modos instantâneos a derradeira maneira de querer dizer que a droga do mundo é a coisa que mais vicia e pulsa em seu ser. E é por isto que ela criou asas...

Sabe aquele ofuscante ponto que passeava pelo céu junto ao arco-íris do fim de tarde? Era ela.

Sentiu-se fada. Jogou purpurinas encantadas que motivassem todos a sorrir pelo azul daquele céu. Deu cambalhotas afoitas no íntimo dos espíritos pobres e fez todos esbanjarem (FELI)simpliCIDADE.

Ela reza o desejo, tem o terço da saudade nas mãos e a cada mistério oferta uma parte do que lhe cabe. Foi-se os lábios, os braços, os olhos, a mente e o coração...

A voz repelida pelo desconserto de suas pulsações foi impedida de gritar. Afônica de tanta emoção e já quase por pousar naquele solo projetado de esperas, recorreu por acenar que era ali, sobre aquele jardim de flores amarelas que faria questão de pousar.

Cada flor amarela que lhe chegava aos olhos tinha em seu cálice a forma de um S. Quis entender o recado, as pessoas, os abraços, mas precisava voar.

Novamente sobre aquele horizonte de partida, onde ela cantava para dispor o que deseja seu coração, sentiu que a letra S era também a forma do seu corpo naquele momento. E se como não lhe bastasse sentir, tudo ao seu redor era palpável de memórias, foi ai que ela entendeu que era preciso ficar, embora, precisasse partir...

Sentou, sorriu e rezou aquele S de saudade que lhe pesava o coração e desafiava seus cinco mistérios.