terça-feira, abril 21

As lições que a vida oferece

Eu não vou escrever bonito para dizer o que meu coração está pedindo com simplicidade.
Já mudei a música, tentei escrever desde ontem à noite, querendo começar de outra maneira, mas agora vai assim, sem muita elegância, mas com todo o tamanho do meu coração. Sexta passada viajei para visitar a casa de uma amiga que tinha casado, e que há meses prometia, mas os contratempos não ajudavam, mas enfim, fui. A acolhida calorosa dos dois me dava a impressão de ser apenas um retorno aquele lugar, já a nossa amizade se explica por outras vias que não cabem falar agora, mas uma coisa tenho certeza o meu amor por eles. Cecília tem um jeito doce, e um amor delicado pelas pessoas e animais que só vendo pra crer, logicamente, que do outro lado existe uma loba, alguém de gênio forte que não deixa as coisas passarem sem explicações, mas que sabe amar com seu lado menina e mulher em moderação, apesar de algumas vezes ser um verdadeiro bebê grande de coração gigante. O que eu não sabia, é que durante esses três dias por lá aprenderia tanta coisa. A começar pela luta da vida de mel, sua cachorrinha que se encontrava doente, frágil, mas que por apego sofreu e lutou junto a eles por sentir a tristeza de Cecília e Ruy, por saber o quanto de amor e carinho existe naquela família que nasceu e vem crescendo sobre fortes doses de amor. Na minha ignorância de não saber amar os animais como deveria, pude sentir o quanto eles são companheiros, o quanto nos é ofertado mesmo diante da dor, do medo e da tristeza ou alegria de seu dono. Cecília me ensinou isso, a ter vontade de amar os animais e ter ações por eles. Não que eu os odiasse, mas não enxergava assim. Explico, não era qualquer amor que vinha daquela casa, emanava só de sentir a forma carinhosa com que eles lhe davam até mesmo com os cães da rua. Eu não estava em sua casa nesse fim de semana por acaso. Mel não agüentou, mesmo diante de todo o cuidado das manhãs ao veterinário, carinho e atenção dedicados, suportar a sua, e a dor de seus donos. E partiu, numa decisão difícil, mas sobre a melhor forma de poder sentir o quanto ela foi amada. Não bastasse essa lição de humanidade, pude ter outro exemplo de como nossa vida é gratificante por encontrar seres humanos assim, feito Ruy e Cecília, que ainda me deram o prazer de conhecer um ser de luz, ponha apenas um I entre o U e o Z para fazer seu nome. Nunca havia sentido aquilo, ser amada no primeiro encontro de uma forma que nem as pessoas mais antigas são capazes de amar. E, nas nossas duas manhãs, a vida, pelas suas palavras, ações e o brilho de seus olhos me ensinaram mais um pouco. Não esquecerei a sua alegria, a sua dedicação a vida, e, principalmente, o seu abraço fraterno e suas palavras que acalmaram meu coração. Eu precisava estar ali, depois de tantos dias conturbados. Nas minhas falências múltiplas, no meu modo mais mesquinho, na minha pequenez de não saber amar como deveria, de não ser melhor no que devo ser, e na minha mania de agir por orgulho quando estão claros os meus erros, senti a necessidade de voltar pra casa e ser melhor, melhor pra mim, melhor pra minha família, melhor para os meus amigos, melhor com os animais. Voltei, querendo amá-los mais, de pedir desculpas, de assumir as minhas culpas e de ser um pouco melhor, mesmo sabendo do quanto sou falha, e, de que a verdade, nem sempre será minha, quando eu achar que sou “dona da razão”. Cheguei em casa sentindo uma saudade imensa da minha família, como se três dias tivessem sido três anos. Voltei tendo a certeza de que minhas certezas nunca serão maiores, e que mesmo com todo amor aprendido, outros amores são completamente capazes de nos apunhalar pelas costas com mentiras e muita, muita falsidade. E eu, que até dias desses falava dessa pessoa com carinho, dizia ser especial, fiz o favor de retirar da minha vida , para que não haja qualquer amizade, mesmo assim eu te perdoo. Tudo isso, porque não escutei a minha mãe que já havia me dito o quanto ele desmerecia tudo que ofertei. Hoje, pela manhã extraindo mais um aprendizado das dificuldades e exemplos que a vida nos dispõe, acordei com a noticia que meu pai havia sido atropelado. Corri ao seu encontro, deitado e todo cheio de ferimentos, pude perceber que aquela cabeça branca anda precisando mais de mim, muito mais do que eu possa dar, e do quanto essa é a minha hora de cuidar dele, que mesmo debilitado, ainda nos dá exemplo de força e coragem pra viver. É uma opção saber compreender qual o propósito de Deus diante de tudo isso, e eu compreendi a minha. Se eu voltei pra casa querendo amar e ser melhor ainda, hoje pude ter a certeza ainda maior do quanto a vida, e as pessoas precisam de mim, embora, elas não me ofereçam, ou tenham o mesmo amor pra dar...Espero crescimento, e não outra coisa que me faça ser menos humana no que puder aprender e doar.