terça-feira, agosto 20

E se não der tempo?

A vida passa e me parece que a gente não se dá conta dessa contigüidade. Pensamos apenas no nascimento e esquecemos da sua brevidade, a palavra é temida, mas o fim existe, embora, não sabemos quando.

Isto não é mais um texto de autoajuda, nem estilo Cury, nem Mitch Albom. Mas é uma forma de nos alertamos a não travarmos o riso, a não nos desencorajarmos antes mesmo de termos tentado, seguido. Não é preciso desistir no primeiro obstáculo, e, garanto, nem no décimo, nem no milésimo. Essas subjetividades, enraizadas pelas sensações é a parte saudável que levamos da vida, afinal, o que contar depois dos sessenta?

Eu tenho um homem forte perto de mim, que aos 73 anos de idade trabalha diariamente, levante às 4 horas da manhã, se perfuma as 8 e sai para trabalhar cotidianamente, retornando às seis, cansado, mas não desencorajado de viver, vencer.

Tem vivido uma das piores fases de sua vida e mesmo no cansaço, na situação delicada em que vive, sem saber e sem ter muitas saídas, não desiste da luta, não se destrói nos medos. Hoje, no auge do nosso problema - e digo nosso porque se é dele também é meu – encheu o peito, mesmo com tanta tristeza e nos disse: não morro pra essa vida deitado, eu vou de pé, trabalhando.

Fiquei pensando que ao chegar na sua idade, muitos do que aqui estão pediriam apenas por tranqüilidade. Desistiriam, talvez, no primeiro grande erro exagerado, desgarrado, temido, sofrido, doloroso e reprimido. Meu velho, não. 

Não desistiu quando foi tomado pelo alcoolismo, não desistiu quando bateu a primeira porta do desemprego, nem quando o primeiro filho errou e o fez chorar copiosamente. Meu pai não teme a vida, por isto sempre soube arriscar o seu presente para vê os outros felizes. Parece ilógico, mas esse sempre foi o seu “autoegoismo”, pensar sempre nos outros, nunca em si.

Hoje fiquei pensando nisso, nessa maneira de criar lutos empobrecidos dentro de nós, na maneira que desistimos antes mesmo do fato se tornar problema, ou de um problema se tornar um fato. 
Na beira do abismo é preciso criarmos asas. No solo da dor é preciso criarmos raízes afáveis de esperança e força. Na tempestade mais rigorosa, é preciso acalmarmos o vento e irmos em busca de viver sem esperas. Esperar pra quê?

A gente faz tantos planos, espera tanto, vive tanto de futuro, que quando a vida de alguém ao teu lado acaba, ou até mesmo a tua, a gente fica pensando aonde estava o presente.O presente que está agora aqui, acontecendo nessa infinita escala de pequenas coisas diárias, tão mais ricas, tão mais palpáveis do que o futuro que, talvez, nem nos aguarda.

Pensamos no presente, é hora de desembrulharmos, sem esperas, sem demora.


REALIZE. A vida passa...Quero agora ser um pouco melhor pra vida do que ontem!