sábado, agosto 27

Retrato falado


Bruma suave nas entrelinhas da vida. Acaso colorido, intervalos preto no branco, branco no preto, vertigem.

Vagos parágrafos. Sérios pontos finais. Reticências em pormenores. Vírgulas quadradas. Frases interrompidas. Histórias inacabadas. Estórias, conversa fiada. Depois? Depois se paga.

Sono descoberto de sonhos.Silêncio na boca. Palavras nos olhos. Corpo tateado de estrelas transparentes. Um céu nas vestes, uma Lua estampada no nariz, Sol nas bochechas. Uma feição preenchida de ternura, retrato falado da poesia.

Se leva em prosa, desnuda-se em versos, se acolhe em música. Lirismo virtual, vontade boba de abraçar a eternidade que nunca existiu, solo dos enamorados, fruto sagrado, minha composição.

Por dentro? Voz e violão...